Entrevista

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Flávio Resende
flavioresende@gmail.com
(61) 3242-9058

Designer de experiência mostra como mudou o direcionamento de seus negócios para o universo digital

Monclair Cammarota (foto)
Founder da Ekoá e Gamifica Aí

Aos 43 anos, o brasiliense Monclair Cammarota, formado em Engenharia Florestal pela UnB, é exemplo de empreendedor que virou do avesso o seu negócio para adaptar-se às novas necessidades do mercado. Desde 2008 tocando a Ekoá Jogos Empresariais, Monclair usou sua experiência em Gamificação para se inserir num novo segmento: o de eventos digitais. E, em menos de dois anos, já está bombando com a Gamifica Aí. Hoje, se reconhece “designer de experiências”. Ao Jornal do Planalto, o empresário contou um pouco das novidades e do que está planejando para este ano. Confira:

Como você tem usado o seu conhecimento em Gamificação nesta nova fase da sua vida profissional?

Tenho utilizado tudo que aprendi em termos de jogos, educação, desenvolvimento executivo, esporte e gamificação para gerar engajamento. Eu entendo que o engajamento é um dos pontos chaves no nosso mundo. Temos tantas possibilidades e distrações, que manter as pessoas engajadas em uma determinada jornada para a conquista de um objetivo é desafiador para pessoas e para instituições. Para lhe dar um exemplo, estou trabalhando muito focado em experiências on-line. Tanto na educação quanto em eventos. Quando penso em um evento on-line, minha intenção é criar experiências memoráveis para os participantes de tal forma que eles realizem atividades que sejam coerentes com os objetivos do evento. Quando eu olho para a educação, a abordagem é similar. Preciso buscar elementos que sejam imensamente humanos e bem organizados para que eu consiga despertar a atenção das pessoas e manter o foco delas dentro de um processo de aprendizagem. Ou seja, criar experiências memoráveis para que os participantes realizem determinadas ações.

Como tem sido a aceitação do público?

Estamos em uma fase fantástica. Uma frase que falei para mim mesmo durante toda a pandemia é que toda crise traz oportunidades. Tenho muito respeito por todas as pessoas que tiveram perdas em função da pandemia. Ainda assim, procurei encontrar oportunidades no meio de tanta confusão. Entendi que as coisas estavam mudando e que jamais voltarão a ser da forma que eram antes de 2020. Neste contexto, procuramos criar soluções que entreguem valor verdadeiro para as pessoas dentro deste momento que ficou conhecido como o novo normal. Aceitação das pessoas no que se refere às soluções que estamos desenvolvendo tem sido de encantamento. Conseguimos antecipar tendências e resolver problemas que as pessoas não tinham ideia como seriam resolvidos. De uma forma geral, estamos procurando entregar conteúdo por meio de experiências digitais. Este conceito é muito poderoso e o nosso público está entendendo cada vez mais que não basta entregar conteúdo. Já existe muito conteúdo disponível. Se o conteúdo não vier embalado em uma experiência memorável, as pessoas simplesmente não vão consumir.

Você vai lançar o Mundo Ekoá num evento totalmente digital. Como e quando será isso?

No ano de 2020, fizemos eventos maravilhosos para as mais diferentes empresas e os mais diferentes públicos. Criamos coisas incríveis, testamos em situações reais e aprendemos o que talvez demorasse mais de uma década para aprender em uma situação normal. A partir da experiência de produzir tantos eventos para outras pessoas e públicos, decidimos criar o nosso próprio espaço virtual e produzir nossos próprios eventos. Estamos lançando o Mundo Ekoá como um espaço permanente de relacionamento virtual. Teremos um evento no dia 25 de fevereiro para marcar esse lançamento, mas o espaço permanecerá com diferentes conteúdos, desafios, atividades, programação cultural, pontos de encontro para que as pessoas continuem entrando e se surpreendendo com o que está acontecendo. Eu sou apaixonado por eventos presenciais. Até me arrepia. Eu sinto muita falta de eventos presenciais e ao mesmo tempo entendo que os eventos on-line entregam um valor que nem mesmo os eventos presenciais conseguem entregar em termos de alcance, facilidade de acesso e produção de dados. Estamos colocando tudo isso de graça à disposição das pessoas.

Na perspectiva do impacto social, você construiu uma ferramenta que pretende criar um novo cenário cultural para a cidade. De onde surgiu a ideia e como ela funcionará?

Eu sou apaixonado por cultura. E falo isso considerando as mais diferentes formas de cultura. Eu tenho acompanhado o sofrimento da área cultural em meio à pandemia, com o fechamento de espaços, a falta de financiamento, a falta de palco, a falta de tudo. Conheço vários produtores culturais que são geniais em suas áreas de trabalho e não sabem como vão pagar a conta de luz. Essa é uma situação que me entristece muito. Como estamos buscando soluções on-line, pensei em fazer uma entrega verdadeiramente valorosa para o segmento da cultura. Ainda somos muito pequenos, mas vamos disponibilizar o que nós temos para que produtores culturais, artistas, associações de artistas possam mostrar o seu trabalho dentro de uma plataforma cultural. Na verdade, eu gostaria de fazer muito mais. Gostaria de ter dinheiro para contribuir na própria produção. Ainda não temos porte para esse tipo de fomento, mas conseguimos disponibilizar espaços para que a arte aconteça dentro dos nossos ambientes virtuais. Espero, de alguma forma, que esta pequena ação contribua para a reativação da cultura

Como foi o ano de 2020 para a Ekoá e para você, pessoalmente?

Para mim, 2020 foi absolutamente insano. Agora que o ano terminou e que as coisas se assentaram de uma forma positiva, é fácil olhar para traz e falar que tivemos grandes ganhos no ano de 2020. Crescemos 60% em 2020. Falar só isso seria omitir boa parte do que foi o ano. Começamos o ano 2020 muito entusiasmados com a soluções tecnológicas que vínhamos desenvolvendo. A ideia era fazer eventos híbridos. Resolver o problema da experiência de grandes feiras de São Paulo. Já tínhamos criado, testado, vendido uma solução digital para melhorar a experiência em grandes eventos. Quando veio a pandemia, perdemos 95% do nosso faturamento e não tínhamos nenhuma perspectiva de retomada. Acredito que tenha acontecido com muitos empreendedores do Brasil e do mundo. Colocamos todo nosso time para trabalhar de forma on-line e eu ia para o escritório sozinho e ficava lá procurando imaginar como salvar a empresa e não demitir ninguém. Eu tinha algum caixa de reserva. O suficiente para três meses. Cada dia, era um dia a menos. Fiz um trabalho de entrar em contato com muitas pessoas para entender como elas estavam vivenciando aquele momento de pandemia. Naquele momento, eu não estava vendendo nada. Meu objetivo único era entender que problema eu poderia resolver que as pessoas me pagariam por isso. Quando conversei com o gestor de inovação do Sebrae Nacional e ele me disse que uma série de eventos de startup seriam cancelados, tive o meu momento de eureca. Por que não construir um centro de convenções digital onde pudesse colocar todas as startups do Brasil? E se a gente criasse um ambiente com palco principal, salas para oficina, cafeteria, biblioteca e outros espaços que pudessem trazer para os participantes a sensação de um evento presencial? Tive o privilégio de ter uma grande instituição que topasse realizar as ideia. O pessoal do Sebrae tinha expectativa de mil para o evento. Tivemos mais de dez mil pessoas presentes ao mesmo tempo. Foi um grande sucesso! Mas isso não quer dizer que o resto do ano foi fácil. Desenvolver uma solução tecnológica envolve riscos, gestão de pessoas, novos processos e todo um emaranhado de coisas complexas que tivemos que aprender para fazer eventos on-line. Foi um ano de muito aprendizado. Muitas noites viradas. Para inovar, é preciso assumir muitos riscos. Foi um ano que tive muito medo das coisas darem errado também. Acreditava muito no que estava fazendo e, ao mesmo tempo, sabia que as coisas poderiam sair do controle. Evento não pode dar errado. Sempre tem muita coisa em jogo. Foi um ano de muita adrenalina.

O que esperar de 2021?

Estamos criando muitas coisas inovadoras, já no início de 2021. Aumentamos o ritmo de desenvolvimento e, consequentemente, as vendas têm crescido. Tenho intenção de escalar o negócio da plataforma de eventos on-line e acredito que estamos no caminho certo.

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Turismo

Visite Brasília ganha prêmio

O site Visite Brasília acaba de receber o 1º Prêmio Brasília: o Novo Olhar do Turismo. A iniciativa, criada pela Secretaria de Turismo do DF, busca identificar, reconhecer e valorizar profissionais e iniciativas que tenham atuado de forma proativa em benefício do desenvolvimento do turismo do Distrito Federal, nos últimos 24 meses. O site conquistou o primeiro lugar na categoria “Tecnologia no Turismo”, que contou com mais de 300 inscritos.

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Livros

Fabiane Guimarães lança seu primeiro romance

A editora Alfaguara, selo da Companhia das Letras, publicou este mês o romance de estreia de Fabiane Guimarães (foto), escritora goiana de 29 anos que vive em Brasília. “Apague a luz se for chorar” entrelaça duas histórias de suspense, ambientadas na capital e em Pirenópolis, para refletir sobre o que significa ter uma família e o preço que estamos dispostos a pagar para mantê-la.
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Agenda

Festival de Verão no Pontão do Lago Sul

O Pontão do Lago Sul realiza, até o dia 25 de fevereiro, o Festival de Verão 2021. Aulas gratuitas de pilates, funcional, ioga, zumba e fitdance serão realizadas ao ar livre e com público limitado para garantir o distanciamento físico dos alunos. Aos sábados, na orla do lago Paranoá, o pôr do sol ganhará ainda mais encantamento com a apresentação do saxofonista Saulo Sax. O repertório inclui sucessos nacionais e internacionais. Outra atração do Festival de Verão 2021 é o vale cashback, reembolso para consumo com desconto que será oferecido por 10 operações gastronômicas do Pontão, entre restaurantes e quiosques.

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Empreendedorismo

Clube de Permuta tem novo sócio em Brasília

O Clube de Permuta, plataforma multilateral que possibilita a troca de bens e serviços, acaba de fechar mais uma parceria e anuncia a chegada de Alexandre Guerra, como o novo franqueado da rede em Brasília. Com MBA em negociações internacionais pela Universidade de Pierre Mendes e mestre em Administração de Empresas pelo Insper, Alexandre Guerra tem uma trajetória de sucesso no mercado de franquias e do empreendedorismo nacional. Nome conhecido no mundo dos negócios, Guerra é o ex-presidente do Instituto Foodservice Brasil (IFB) e ex-vice presidente da Associação Brasileira de Franchising (ABF) e já foi CEO do Giraffas.

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Cultura

DF Plaza realiza exposição em homenagem à Aruc

Em função da pandemia, neste ano não haverá o tradicional carnaval com desfiles de escolas de samba e blocos de rua. Para que esse período seja lembrado com paixão e segurança, o DF Plaza Shopping realiza a exposição Aruc 60 anos – a maior campeã do carnaval de Brasília, até 28 de fevereiro, no horário de funcionamento do mall. Essa homenagem permitirá ao público conhecer os elementos que fizeram parte do crescimento da escola de samba do Cruzeiro. A sexagenária Aruc conquistou 31 títulos, um octa-campeonato, um penta, dois tetras e dois tris. A escola é hoje a maior vencedora de desfiles de carnaval no Brasil, superando inclusive a sua madrinha Portela, do Rio de Jan

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