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Na Câmara Legislativa, autoridades apontam desafios e avanços da alimentação no DF

Na Câmara Legislativa, autoridades apontam desafios e avanços da alimentação no DF

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Em comemoração ao Dia Mundial da Alimentação, celebrado no dia 16 de outubro, a Câmara Legislativa do Distrito Federal realizou, no dia 18/10, uma sessão solene de debates sobre os desafios e os compromissos governamentais para garantir alimentação saudável e de qualidade à sociedade. A data serve para repensar e discutir a questão alimentar e situações de vulnerabilidade no planeta.

O deputado Cláudio Abrantes (PDT) lembrou que a o Dia Mundial da Alimentação é celebrado em 16 de outubro em razão da criação do Fundo das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). Citando dados do mais recente relatório da agência da ONU, Abrantes disse que 821 milhões de pessoas passaram fome no mundo no ano passado. “É um dado alarmante”, afirmou.

Ele falou ainda das disparidades entre as pessoas que passam fome e as que se alimentam de forma inadequada, o que também causa uma série de problemas, principalmente em relação à saúde. “Enquanto há gente passando fome, há 40% das pessoas com sobrepeso”, declarou.

A presidente da Emater, Denise Fonseca, lembrou dos desafios das entidades ligadas à agricultura. “Nós temos de alimentar quase 8 bilhões de pessoas com uma dieta equilibrada e saudável. Produzir alimentos sem agrotóxicos e outros resíduos químicos”, ressaltou ela, que também falou sobre a importância do produtor rural. “O trabalhador rural é imprescindível nesse panorama. São homens e mulheres aos quais dedicamos nosso trabalho na Emater-DF.”

Presidente da Emater-DF ressaltou, em seu discurso, importância do produtor rural para a alimentação saudável

Denise citou ainda parcerias da empresa com a Secretaria de Agricultura e a Ceasa em programas fomentadores do desenvolvimento rural e que proporcionam alimentação de qualidade à população do Distrito Federal. Na mesma linha, o secretário-executivo da Secretaria de Agricultura, Luciano Mendes, disse que na capital já não se fala mais em expandir a área de produção. “Precisamos produzir mais e com qualidade. E isso passa por tecnologia”, disse.

O presidente da Ceasa, Wilder Santos, afirmou que a empresa tem como diretriz ampliar o consumo de frutas e legumes pela população. A meta, de acordo com ele, é fazer o consumo crescer até 15%. Ele disse que a Ceasa tem se empenhado em garantir uma alimentação mais saudável e que faz parceria com entidades e escolas para explicar o papel do órgão na questão da segurança alimentar da população.

O representante da FAO no Brasil, Gustavo Chianca, disse que este ano, pela primeira vez na história, o número de subnutridos será maior do que o de obesos. A má alimentação (subnutrição ou consumo inadequado de nutrientes) é a principal causa de doenças e mortes prematuras no mundo, afirmou. Ele disse também que é necessário o envolvimento de governos, órgãos públicos e sociedade para garantir o sucesso de políticas públicas em relação à questão alimentar.

Políticas públicas

A diretora do Banco de Alimentos da Ceasa, a nutricionista Lidiane Pires, disse que um dos eixos de atuação da entidade é o desperdício zero. De acordo com ela, de janeiro a setembro, o Banco de Alimentos conseguiu evitar que 230 toneladas de alimentos próprias para o consumo humano fossem descartadas. Os alimentos foram enviados a instituições assistenciais e garantiram refeições para milhares de pessoas em situação de vulnerabilidade alimentar.

Ao final do evento, o deputado entregou certificados com menção de louvor a algumas pessoas que realizam trabalhos voltados para garantir alimentação nutritiva e de qualidade. O gerente do Escritório de Comercialização da Emater, Blaiton Carvalho da Silva, a diretora do Banco de Alimentos da Ceasa, Lidiane Pires, o presidente da Ceasa, Wilder Santos, e o superintendente da Conab, Rafael Bueno, estavam entre os homenageados.

Após a crise, o futuro: como tornar de excelência a gestão da água?

O aumento populacional, o desmatamento e as mudanças climáticas são desafios que afetam a boa gestão dos recursos hídricos. Enfrentá-los e, ao mesmo tempo, dar uma melhor destinação ao consumo da água, é uma das missões mais difíceis de qualquer gestão governamental. No caso do Distrito Federal, o desafio é mais intenso: a capital sofreu, entre 2016 e 2018, a maior crise hídrica de sua história.

Para minimizar os problemas, elaborar e executar soluções definitivas para as consequências destes e de problemas que ainda vão surgir, é preciso muito estudo – e suor.  O Executivo local, por exemplo, estabeleceu algumas medidas e as inseriu no Plano Estratégico do DF (PEDF), documento com previsões de ações a curto, médio e longo prazo.

O abastecimento de qualidade e uso correto da água é uma das batalhas previstas no Plano Estratégico. Afinal, o DF quer ser referência no país na gestão da água. Nesse sentido, prevê três resultados-chaves:

triplicar a proteção de nascentes em bacias hidrográficas prioritárias;

aumentar em 100% o monitoramento do consumo de água nos setores urbano e rural;

aumentar em 100% o número de instrumentos de gestão de recursos hídricos implementados nas bacias hidrográficas

Entenda a seguir como cada um desses pontos se desdobra. Veja também o que a atual gestão realizou ao longo de 2019 nesta questão específica e o que está na esteira da previsão de realizações para os próximos anos.

Ações em curso

A continuação das obras de interligação dos sistemas Torto-Santa Maria e Sobradinho-Planaltina, a cargo da Caesb é uma das principais medidas. Ela propicia, por exemplo, maior possibilidade de manobras operacionais, diminuindo a vulnerabilidade de um sistema individualmente. As novas captações de água no ribeirão Bananal (750 L/s) e no Lago Paranoá (700 L/s), juntamente com a interligação entre os sistemas Torto/Santa Maria ao sistema Descoberto reforçam a preocupação do GDF com o tema.

Além disso, os Sistemas Sobradinho/Planaltina e São Sebastião passam por obras de interligação e melhorias das unidades operacionais para dar continuidade à prestação do serviço de abastecimento. Após a finalização das integrações, será possível a transferência de água entre os sistemas, facilitando e dando maior segurança para o abastecimento da população.

O GDF também trabalha na finalização do sistema Corumbá IV, em parceria com a  Companhia Saneamento de Goiás (Saneago). Com capacidade de 2,8 m³/s na primeira etapa de operação, o sistema irá abastecer inicialmente as regiões do Gama, Santa Maria e Riacho Fundo II, podendo alcançar, no futuro, todas as RAs atendidas pelo sistema Descoberto.

Há outras intervenções em andamento importantes, como a reativação de pequenas captações – a da Ponte de Terra II, Crispim e Alagado, e a implantação de uma nova Estação de Tratamento de Água Gama.

Também foram intensificadas as ações de acompanhamento pela Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento Básico do Distrito Federal (Adasa) do programa de combate à perda d’água da Caesb, com fiscalização das ações de setorização de redes em regiões como São Sebastião, Taguatinga e Ceilândia.

A setorização por meio da instalação de Distritos de Medição e Controle propiciam maior gerenciamento das perdas de água na rede de abastecimento, possibilitando localizar mais facilmente qualquer rompimento ou vazamento nas tubulações.

Inteligência artificial

A tecnologia é outra aliada da Adasa e Caesb. Na Adasa, o apoio da inteligência artificial permite o monitoramento de cenários e a antecipação a possíveis crises hídricas no DF. Sensores instalados em diferentes pontos medem os níveis de água em rios e reservatórios, bem como os índices de chuvas, com medições programadas para cada 15 minutos.

Essas informações se transformam em ouro para a Adasa a partir da ferramenta de análise de dados da Microsoft utilizada pela Agência. O Power BI possibilita análises programadas, tais como a comparação das medidas coletadas em tempo real, com base em dados de uma série histórica de mais de 30 anos de registros. Os dados são compartilhados com o público em geral por meio do Sistema de Informações sobre Recursos Hídricos (Sirh) do Distrito Federal, acessível no site da Adasa.

Canais subterrâneos

Na área rural, o GDF tem investido na construção de canais subterrâneos de irrigação. Além de evitar a perda de cerca de 50% do volume de água, que corria nos antigos canais a céu aberto, a nova tubulação possibilita a distribuição de forma igualitária a todos os produtores.

Em Tabatinga, o produtor rural criador de aves José Eduardo Azeredo aprova o uso da tubulação. “Ela nos gerou economia, reduzindo perdas. A outra questão é o uso racional da água, tentar controlar e melhorar o acesso. Nossa captação, se tivesse, por exemplo, uma outorga de uso de 300 milímetro de água agora nós retiramos 150 milímetros. Passamos por uma crise e uma vez que isso acontece você automaticamente passa a economizar mais”, aponta.

Ele conta que a economia também foi adotada em casa e espera uma boa produção em 2020. “Fico melindroso com tudo, seja no uso da torneira ou chuveiro, reduzimos drasticamente. Minha conta de água está sempre dentro da cota mínima e ganho bonificação da Caesb pelo baixo consumo”. Sobre a produção ele assegura: “Com esse serviço da tubulação vamos poder investir com menor risco. Em 2020 vamos ter uma diferença na produção”, acrescenta. Eduardo cria aves e pensa, a partir do próximo ano, investir no sistema de hidroponia.

Plantio de mudas

Nem só de tecnologias modernas é feito o trabalho de preservação e melhor uso dos recursos hídricos. Na Bacia do Ribeirão Pipiripau, localizada ao nordeste do DF, o plantio de mudas colaboram para a preservação da área, bem como a  segurança hídrica e ambiental da bacia.

A Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Distrito Federal (Emater-DF) e a Agência Nacional de Águas (ANA), em parceria com a Secretaria de Agricultura, tocam o projeto Produtor de Água do Pipiripau com a produção de aproximadamente 96 mil mudas de espécies nativas. A meta é a restauração florestal do lugar, área de preservação permanente e reserva legal.

 

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