Início DF Número de produtores de morango aumenta 230% em 24 anos de Festa do Morango
Número de produtores de morango aumenta 230% em 24 anos de Festa do Morango

Número de produtores de morango aumenta 230% em 24 anos de Festa do Morango

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O número de produtores de morango em Brazlândia cresceu mais de 230% nos últimos 24 anos, quando foi realizada a primeira festa do morango de Brasília. Em 1995, havia na região 60 produtores, que cultivavam o fruto em uma área de 60 hectares. Com o apoio da Emater-DF para o fortalecimento dessa cadeia produtiva, hoje são quase 200 produtores, que plantam várias espécies de morango num espaço de 180 hectares.

Quando foi criado, em 1995, o evento se chamava Festa do Morango e da Goiaba. O objetivo da festa era vender o excedente produzido, incrementar a produção, ganhar credibilidade no mercado e ter um canal de comercialização direto com os produtores. Com barraquinhas de lona improvisadas, a Emater-DF e a Associação Rural Cultural Alexandre de Gusmão (Arcag) começaram a divulgar a produção local das duas frutas.

Entretanto, mesmo a goiaba tendo maior área de produção, o morango chamou mais a atenção do público. A Emater-DF e a Arcag perceberam então que o fruto merecia uma festa exclusiva e, com o tempo, o evento foi se consolidando. Em 2001, entrou para o calendário oficial de eventos de Brasília, por meio da lei nº 2.678, e passou a receber mais incentivos do governo e divulgação.

Desde então, com incentivo dos extensionistas da Emater-DF, o número de produtores se multiplicou. Hoje, o morango gera cerca de 2 mil empregos diretos, incluindo o período de safra, e movimenta R$ 35 milhões anuais. Neste ano, a produção deve chegar a 6 mil toneladas.  “A cadeia do morango é uma das mais importantes para a região de Brazlândia e para o DF como um todo, pelos números expressivos em emprego e renda. Nos orgulhamos de fazer parte dessa história”, disse a presidente da Emater-DF, Denise Fonseca.

Desde sua primeira edição ela é realizada na sede da Arcag (Brazlândia, Incra 6, BR-080, Km 13). “No início, a festa era mais uma feira livre, com palestras técnicas, sem shows e que reunia poucos produtores”, lembra o extensionista da Emater-DF Helton Alves de Araújo. “Depois ela cresceu juntamente com a produção local. Na medida em que os produtores foram se apropriando de novas tecnologias e melhorando a produção, o evento também foi aumentando, com mais participantes e maior visibilidade.”

Produtores primeiro e segundo colocados na Exposição Agrícola em 2007

A partir desse crescimento, a festa ampliou o seu caráter de entretenimento e passou a oferecer mais opções ao público. O evento tem uma praça de alimentação exclusiva de comidas japonesas e outra com opções variadas. Além disso, tem feira de artesanato, estandes com exposição de máquinas agrícolas e caminhões, parque de diversão e palco principal, onde ocorrem as apresentações musicais durante a noite.

A Emater-DF é responsável pela Morangolândia, onde produtores comercializam morango in natura e derivados, bem como artesanato e produtos de agroindústrias do DF. A empresa também promove o encontro técnico, a mostra agrícola e a Feira de Floricultura e Jardinagem de Brazlândia (Florabraz) – que passou a integrar o evento em 2014.

A presidente da Emater-DF, Denise Fonseca, durante fala na Exposição Agrícola

História do morango em Brazlândia

No início dos anos 70, centenas de agricultores japoneses, oriundos do estado de São Paulo e outros migrantes procedentes de demais regiões do país foram assentados em áreas do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), no Núcleo Rural Alexandre de Gusmão, na região de Brazlândia. Os produtores japoneses, principalmente os provenientes de Atibaia (SP), trouxeram as primeiras mudas e deram início ao cultivo no Distrito Federal. Na época, o cultivo não passava de 20 hectares.

A cultura começou em pequenas áreas e com plantios rústicos. “A tecnologia utilizada era precária, a irrigação por aspersão inadequada, sem cobertura do solo e uso de cultivares de baixo potencial produtivo”, conta o gerente da Emater-DF de Alexandre de Gusmão, Hélio Roberto Lopes. Quase 100% da produção era da cultivar Dover, proveniente da Flórida (EUA), com frutos firmes, porém azedos, mais indicados para doces e geleias.

Apresentação cultural da comunidade japonesa de Brazlândia

Na década de 90, a Emater-DF juntamente com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) buscou levar inovações tecnológicas de plantio e manejo, introduzindo também novas cultivares que tivessem melhor adaptabilidade ao cerrado brasileiro, o que proporcionou um aumento de produtividade nas culturas desenvolvidas em Brazlândia e no número de produtores.

“Foram feitas diversas excursões técnicas para outras regiões do país e para o exterior como forma de capacitar técnicos da Emater e produtores”, conta Lopes. Em 2002, foi feita visita a Huelva (Espanha), onde predomina o cultivo em macrotúnel e, no Rio Grande do Sul, foi onde viram o cultivo em túnel baixo, que hoje, juntamente com a adoção de cultivares adequadas, permite que se produza morango durante todo o ano no DF.

“Também foi por meio de um programa da Secretaria de Agricultura, nos anos 90, chamado Gota D’água, que houve o incentivo ao uso do sistema de irrigação por gotejamento, o que diminuiu consideravelmente a incidência de doenças no morangueiro, fazendo com que a produtividade melhorasse”, explica Lopes.

Em 2010, a Embrapa promoveu uma viagem técnica à Flórida, onde técnicos e produtores também puderam ver mais tecnologias de cultivo e manejo do morango. Também foi nesse ano que se conheceu mais sobre o morango hidropônico em Santa Catarina.

Para Lopes, o que mais incentivou outros produtores a começarem a produzir morango foi o chamamento público do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), em 2010. “A Associação dos Produtores Rurais de Alexandre de Gusmão (Aspag) agregou produtores para atender ao chamamento público desse programa e, em 2011 e 2012 ao do Programa Nacional de Alimentação Escolar”, conta.

Desde 2015, a produção local de morango está estabilizada. Apenas em 2016 e 2017 houve uma redução da área plantada por causa da crise hídrica. Na época, a Emater-DF realizou um intenso trabalho junto aos produtores relacionado ao manejo de irrigação para uso da água de forma mais eficiente e econômica.

(Carolina Mazzaro – Ascom – Emater-DF)

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